Exposições

METAMORFOSE

METAMORFOSE

Toz

Primeira exposio individual de um artista urbano no Centro Municipal de Arte Helio Oiticica

Metamorfose

 

Eu prefiro ser

Essa metamorfose ambulante

Do que ter aquela velha opinião

Formada sobre tudo

Raul Seixas

 

 

Metamorfose, processo através do qual se dá uma mudança da forma, um aperfeiçoamento e até mesmo uma evolução, exige um período de repouso, de recolhimento. Ao nomear sua próxima exposição - Metamorfose – Toz certamente quis ir além das mudanças da noite para o dia, da escuridão para a luz e as cores. Insonia e o Vendedor de Alegria nos dizem muito mais do que isso. Falam, assim como o escritor Kafka, de solidão, de procura, mas também da euforia e da liberdade. É preciso a noite para que se faça o dia. É necessário um período intermediário para que se possa realizar a beleza da transformação, dessa metamorfose que se faz no recolhimento do casulo. 


Insonia nasceu para contar das noites sem dormir, das criaturas que povoam essas horas, do que acontece quando tudo fica escuro. Dois anos depois Toz nos surpreende com o Vendedor de Alegria, com o excesso de cores e a leveza dos balões de gás. Foi o tempo necessário para a mutação, para que se desse a metamorfose que vai nos levar a múltiplas leituras.


Como diz Rosalind Krauss, os campos da arte foram ampliados. Não há mais lugar para definições estanque que enquadrem os diversos tipos do fazer artístico. Nos muros da cidade ou nas telas, a obra de Toz é facilmente identificada pelo traço forte, pelas cores vibrantes.  Mas é justamente o que está por trás das tintas que interessa ao olhar atento do observador. São estados da alma, são momentos a que todo ser humano é submetido que transparecem em sua arte. E por isso são universais. Seus personagens falam numa outra linguagem, aquela que é percebida pelo olhar, mas realmente entendida apenas pelo eu interior de cada um.  


Artista contemporâneo, Toz privilegia a investigação, vai a limites extremos para se expressar e consegue, com toda a delicadeza, tocar a criança eterna que habita nossa alma.


Isabel Maria Carneiro de Sanson Portella – Museóloga e crítica de arte.